
Te dou a minha alma
A ti anjo
Te presenteio com o meu poema
Que morre como eu
numa solidão ignóbil
mergulhada em sonhos
O tempo engole a eternidade
medonha hábito os claustros
cruéis taciturnos de mil labirintos incertos
"Recordo o encanto curioso da penumbra visto a sombra"
A lua é o meu véu o elixir
vertendo estrelas insolentes exalações
És o bálsamo místico duma
metamorfose tão perfeita
A tua voz é perfume dentro de minha noite
Cativa-me
Transformas todos os meus sentidos
em luz embalas-me sobre um abismo imenso
Numa abóbada de éter iluminada pela bruma da tempestade
Flagela-me a embriaguez dos
desejos nas noites sem fim aconchegadas pela insônia
Bebo a infusão vertiginosa
de prazeres curiosos
Num imenso mar invadido por vapores nebulosos
Veneno dos anjos
"A tua língua lambe o licor da minha melancólia"
Suspensa em petulantes carcaças
soberbas de odores selvagens
e indolentesvirás das trevas
dos céus profundos ou surges do abismo dos astros
[?]
"Criança arrojada que afagas o
sepulcro do amanhã beijo
infinito de sedução idolatrada"
És o fogo flamejante que transforma
a morte e a doença em cinzas
Bebo o teu gládio submissa
Tranquila como o sorriso
dum sereno olhardes pedaças-me
com o tua segurança pões sobre
o meu peito beleza e cor conheces
a carícia que faz ressuscitar
Desespero/luxúria
Reduzes-me a uma menina
apavorada pela dúvida da
penumbra do desconhecido
Sabes a arte de transformar
os minutos em paraísos fecundos
que zombam do efémero
conheces minha angústia
Tu És a melodia que faz
dançar meu espírito numa
divina sinfonia que me adormece
Sobre os túmulos ternurentos
respiro o aroma do teu sangue
onde o meu desejo nada as
tuas imperecíveis mãos sedutoras
colhem as flores
espessas/pétalas
de rosas feridas pelo ar das
noites enregeladas memórias de
uma poeta a rodopiar nos vapores
Da Forma da ideia do serir
remediavelmente essência
A ti anjo
Abre as portas do mausoléu
infame da escuridãobela
visitante de meu covil
de mandrágora e mel
A ti anjo
Te dou a minha alma
Aquela que sucumbiu à sorte
de nunca adormecer saciada
Aquela que prefere a incerteza
do sofrimento à morte
O delírio da beleza à certeza
da doçura efêmera
A insanidade ao esquecimento
o inferno ao vazio
A ti anjo te dou [Eu]
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